segunda-feira, 2 de junho de 2014

Bride-to-be: a papelada never ends

Decidi começar a escrever um pouco sobre o casamento aqui no blog, para registar de alguma forma esse momento tão importante e dividir um pouco com as pessoas queridas que estão longe e não poderão partilhar esse momento conosco. Também como fonte de informação porque, olha, casar da trabalho, casar no exterior com gringo dá MUITO trabalho.
Quando me mudei para a Bélgica definitivamente em 2011 meu visto de estadia no país foi concedido pelo contrato de coabitação que assinamos e isso já me deu uma ideia bem ampla do que morar no exterior representaria na minha vida em termos burocráticos: muita chateação. Oraganizamos todos os documentos, dossiê provando que já nos relacionávamos há mais de um ano e por fim o visto saiu. Três anos depois, vem o casamento e a ladainha recomeça, tivemos que refazer tudo.
Estou casando agora, muito feliz e é para ser para sempre, mas vou dizer uma coisa, ninguém sabe do futuro e se por um acaso não for assim, não me caso de novo nunca mais, pode anotar. Tive algumas amigas se casando no Brasil na mesma época e elas me afirmaram que as coisas não são muito fáceis por lá também não, que também custa muita paciência e dinheiro... Então deve ser uma regra mundial.
Ok, primeiro passo, ir na prefeitura pra ver do que precisaríamos. Algumas das mesmas coisas que precisamos para o visto de coabitação: certidão de nascimento, atestado de estado civil, atestado de nacionalidade e certificado de coutume (esses dois últimos emitidos aqui na Bélgica pelo consulado brasileiro). Como já estavamos de passagens compradas para o Brasil decidimos arrumar tudo nós mesmos, porque apesar de todo o trabalho eu já sabia meu caminho por lá. Ainda tenho o agravante de não morar na capital então basicamente tudo funciona assim: o que sai de Divinópolis tem que ter firma reconhecida lá e o cartório que reconhece a firma também tem que ter a firma reconhecida em BH, entendeu? Pois é...
Comecei pelo começo:
- a certidão de nascimento. Fui no cartório pedir segunda via, claro que tinha um feriado no meio, claro que não me entregaram na data marcada, enfim. Melhor que da última vez que a escrivã assinou com o nome de casada e tinha se separado, o que invalidou a certidão e me orbigou a começar tudo do zero de novo, é mole? Pois bem, dessa vez demorou mas deu certo. Peguei a certidão, reconheci firma do escrivão e fui procurar um juiz de paz.
- a certidão de estado civil: esse documento sequer existe oficialmente no Brasil, já que todos nós depois de casados substiuimos a certidão de nascimento pela de casado, então já fica tudo meio automático. Uma dica para quem precisa fazer essa certidão é sempre procurar um juiz de paz. Ela também pode ser feita com testemunhas mas não é aceita em todos os lugares. Pelo sim, pelo não, o melhor já é fazer com o juiz que com 100% de certeza será aceita sempre. O preço vai depender da camaradagem dele, porque como não é um documento oficial, ele pode cobrar o que quiser, o meu até que foi ok. A parte chata foi que ele escreveu meu endereço errado, mas já corrigimos no mesmo dia e deu tudo certo. Reconheci a assinatura dele também num cartório da cidade e no outro dia já partimos para Belo Horizonte para dar início ao próximo level.



Pascal fez questão de ir comigo pra dar uma apoio moral mas também na esperança de poder agilizar um pouco o processo sendo um belga precisando de um serviço do consulado belga. Chegando na "capitar" já fomos direto para o cartório que reconheceria firma do cartório de Divinópolis e depois para o MRE pegar mais um carimbo,  já que os documentos seriam utilizados no exterior, o que foi feito sem complicações. Encontramos uma amiga querida que nos acolheu na casa dela, fomos passear na Pampulha, foi conhecer mais uma recalcada fofa! hahaha... Enfim, dormimos e no outro dia bem cedo fomos para o consulado belga. Chegando lá, adivinhem? Ninguém falava holandês ou francês, o consul estava de férias e a secrtária só Deus sabia quando voltaria... Tivemos que deixar os papéis com o porteiro e voltar para Divinópolis porque seria muito arriscado tentar levar tudo para a embaixada no RJ. Foi um drama não trazer toda a papelada conosco, os papéis ficaram lá, voltamos para a Bélgica e combinamos com a secretária de nos enviar quando tudo estivesse pronto. Os papéis chegaram aqui algumas semanas depois sem maiores complicações.
No meio tempo, fui no consulado pegar o atestado de nacionalidade (sim, um papel afirmando que sou brasileira, oi?) e o certificado de coutume, que traz uma geral de como são as leis de matrimônio no Brasil. Pedi, paguei, peguei e já levei tudo para a tradutora juramentada em Bruxelas (também aproveitei para contratá-la para a tradução no dia do casamento para as pessoas que não falam holandês que estarão na cerimônia). Uns dias depois voltei para buscar toda a papelada, crente que já ia resolver tudo no mesmo dia na prefeitura. Ledo engano, ainda faltava levar os documentos do consulado para serem legalizados no MRE da Béligica. Não me perguntem porquê um documento emitido na Bélgica, em NL/FR/PT, que não sairá do país precisa passar pelo ministério das relações exteriores, mas a nova moda é essa. Eu ainda tenho uma teoria que eles querem nos vencer pelo cansaço. Voltei pra Bruxelas quase aos prantos, briguei com o Pascal, não aguentava mais. Essa sensação de "nadar, nadar e morrer na praia" é muito ruim, já eram meses tentando organizar tudo...
Finalmente achei o MRE (pedir informação em Bruxelas sem falar francês é um capítulo a parte), carimbei tudo e voltei para a prefeiitura, Pascal já estava lá me esperando, uma pilha de nervos maior que a minha. A atendente demorou, foi um parto pra escrever nosso contrato, definir o nome (assunto para o próximo post), Pascal estressado tendo que voltar pro trabalho, mais briga, mais choro... Jesus! Se um casal não se separa na organização do casamento, acho que conseguem ficar juntos pro resto da vida! Entregamos tudo, fizemos as pazes, tirei uma tonelada das costas. Para ele foi só pedir a certidão de nascimento pela internet mesmo, mamão com açúcar. Agora nosso dossiê está lá para ser aprovado mais uma vez, porque sim, apesar de já coabitarmos legalmente, morar no país legalmente há mais de 3 anos, falar a língua, trabalhar, pagar impostos, o governo belga ainda tem o direito de falar que não podemos nos casar. É demais, né? Aguardando as cenas dos próximos capítulos...

4 comentários:

  1. Força Natália Alves e aproveite cada momento mesmo essas dificuldades porque elas vão unir ainda mais vocês e os tornarem grandes cumplices ;) Imagina que no meu caso, como eu tava ainda terminando a minha graduação em Portugal, tive que estar indo e voltando e depois da terceira tentativa frustada pra marcar a data do casamento tive que escrever um documento a mão (ou melhor o meu marido escreveu e eu assinei pq tinha que ser em holandês :P ) autorizando ele a voltar sozinho e marcar a data do casamento sozinho:/ pq a época das provas tava chegando e eu só ia poder vir a Belgica depois das provas de junho faltando menos de 1 mês pra data que a gente queria casar kkkkkkk só rindo p não chorar :P depois ele me ligou relatando a situação de ter sido o unico sozinho entre os casais de noivos de mãos dadas apaixonados esperando p marcar a data do casório, mas que finalmenteeee depois da quarta ida ao city hall tinha conseguido marcar o casamento!!!:D

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    1. já vou sentir saudades de td qndo terminar aurinha! não importa as complicações, eles não vão me fazer desistir! :D beijos

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  2. Escrever no blog, durante os preparativos ajuda muito a aliviar a tensão, hj com dois anos de casada, tenho várias amigas virtuais por conta do blog. Tive um problema parecido, me casei no Rio, marido paulista do interior, tinha que emitir uma nova certidão de nascimento. O problema foi que o cartório aonde ele tinha sido registrado não estava disponível no cartório 24h que tem na Net, nós tínhamos parentes que puderam fazer tudo pessoalmente, mas ficamos totalmente dependentes da disponibilidade do povo lá,mas a boa vontade do cartório e pra completar a"rapidez" do correio brasileiro. No fim tudo deu tudo certo. Vc vai ver que essa fase é muito gostosa, são perrengues engraçados que agente nunca esquece! Bjos

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  3. Ei, Natália! Tudo bem? Acabei de encontrar seu blog aqui na internet...meu nome é Elisa e estou morando na Bélgica com meu namorado. Queria tirar umas dúvidas com vc a respeito dos documentos para o contrato de coabitação...pode me mandar seu email? O meu é elisapenna@gmail.com. Te adicionei no Instagram tb! :) Obrigada! Bjos!

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