segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A lebre, a tartaruga e o Brasil nas Olimpíadas

Uma das diversões extras das minhas férias foi assistir aos Jogos Olímpicos de Londres. Era na academia, aqui em casa, na casa de amigos... Acho que nunca entrei tanto no clima, apesar de não ser nem de longe a maior fã de esportes. Dos rápidos eu gosto. Natação, judô, saltos variados, corridas, ginástica... Mas jogos eu confesso que tenho uma certa preguicinha. Fico muito nervosa com a obrigação de ter que esperar 1 hora, 1 hora e meia pra saber quem ganhou! Mas fora isso, algumas coisas me chamaram a atenção particularmente no evento.
A primeira delas foi a participação das atletas muçulmanas nas delegações de países extremistas como a Arábia Saudita. Destaque especial para a judoca Shahrjani, já que judô é meu esporte do coração (sim, eu era judaca nos tempos da faculdade e foi o único esporte que realmente conseguiu me despertar interesse). Confesso que eu fiquei com lágrima nos olhos quando ela subiu no tatame usando uma touca para cobrir os cabelos de acordo com os costumes muçulmanos. A vida de Shahrjani nunca mais será a mesma. Não foi fácil chegar até lá e não vai ser fácil sair de lá de voltar para uma sociedade onde as mulheres ainda são tão oprimidas e subjulgadas. É a garra das pessoas de vanguarda, parabéns pra ela! 
Já quando o assunto é a delegação brasileira, as coisas que mais me chamaram a atenção não foram motivo de orgulho nenhum. Que o esporte não aparece na pauta de prioridades do nosso país não é novidade pra ninguém. Os atletas tem pouco apoio, pouco reconhecimento e ainda tem que aguentar os reporteres malas da Record fazendo perguntas indiscretas como se eles tivessem a obrigação de redimir a pátria. Achei lindo quando apareceu gente como a boxeadora Adriana Araújo ou a atleta de pentatlo moderno aqui eu também assumo minha parcela de culpa, eu nem sabia da existência dessa modalidade Yane Marques dando um susto nos que só esperavam a medalha dos esportes tradicionais.
Aliás, é aqui que queremos chegar. O Brasil perdeu um ouro quase certo no volei e outro no futebol. Até aqui tudo bem, esporte é assim mesmo, um tem que perder e o outro tem que ganhar. O comportamento medíocre é que me deixou de boca aberta. Brasileiro tem um ego ultra inflado, fato. A gente tem mania de querer ser melhor em tudo, de achar que tem tudo melhor que o dos outros. No volei isso ficou evidente pra mim a cada saque em que a torcida brasileira tinha aquele comportamento vergonhoso de vaiar o jogador adversário, o cúmulo da falta de respeito. O time brasileiro de futebol que entrou em campo se perguntando 'quem é o México?' ficou sabendo em poucos segundos de jogo. E na hora de receber a medalha a indignação não parecia ser pela derrota e sim pela vitória de um time que nem merecia estar ali. Mas porque não? Só porque o Brasil é considerado o melhor time de futebol do mundo? Auto confiança tem limite...

Os comentaristas já davam as medalhas por certas antes mesmo do jogo começar. Pois é... No volei não foi assim... Nem a vaia desconcentrou os russos que, vamos, dê a mão a palmatória, tiveram uma virada espetacular. Mas que isso fique de lição, que seja crescimento para os nossos atletas e para nós enquanto torcedores. 
O que me veio à cabeça foi a história da lebre e da tartaruga. Uma lebre perdeu uma corrida contra uma tartaruga por menosprezar o seu adversário. A lebre correu um pouquinho, depois relaxou, foi tirar um cochilo e a tartaruga que sabia muito bem com quem estava lidando, levou a prova a sério até o ultimo momento. A tartaruga achava que poderia ganhar, a lebre achava que não iria perder, essa era a diferença. Semelhança? Mera coincidência.

2 comentários:

  1. perfeito nat!
    Adoro seu blog! me da vontade de escrever mais no meu... mas sempre fica nos rascunhos! ;)
    bjss

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  2. obrigada carol! vc é bem vinda pra voltar sempre! e escreva mais no seu, tb adoro ler! :)

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