sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Antes só que mal acompanhada

Há tempos eu queria escrever um post com esse tema. Tenho reavaliado muito sobre a condição dos relacionamentos (em especial o meu, claro), mas sabe quando você tem a impressão de que a ideia esta na sua cabeça mas não consegue tomar forma? Hoje decidi tentar materializar. Estava eu nessa minha manhã de folga da escola dando hidratação nos cabelos e perdendo meu tempo no orkut pra fingir que eu não tenho mil e uma coisas pra fazer em casa (preguiça mode on)! Quando me deparo com uma pergunta em uma comunidade: ele é o homem que você sempre sonhou para estar ao seu lado? Bom, as românticas já tem a responta na ponta da lingua. Eu vou tentar explicar porquê minha resposta foi 'não'.
O príncipe encantado não faz mais parte dos meus sonhos desde que eu parei de brincar de Barbie. Pensando nos meus desejos antigos, lá pelos meus 15, 16 anos, não encontrei o do homem ideal em nenhum deles. Tinha faculdade, tinha viagem, tinha emprego, tinha aprendizado de uma porção de coisas. Mas a dupla 'marido e filhos', não tinha. Não é que eu não goste, eu adoro. Quero ter uma familia grande, gosto de ter um companheiro ao meu lado, mas não posso negar: relacionamento pra mim é um exercício.
Como tudo depende da vivência, dando uma vasculhada na minha, achei o motivo. Eu sempre fui cercada de relacionamentos atípicos e nunca acreditei nos filmes de comédia romêntica. Meu pai sempre foi muito amoroso conosco, mas a profissão o obrigou a ir para longe e por mais que o importante não seja a quantidade mas a qualidade do tempo que se gasta com alguém, esse fato fez com que a chefia da nossa familia mudasse de angulo. Enquanto o pai ficava fora, minha mãe assumiu todas as outras responsabilidades (que se colocadas na balança, eu arriscaria dizer que são maiores que as financeiras) de admisnistraçao da casa e da criação de 3 filhas, praticamente sozinha. E fomos muito felizes e bem criadas. Primeiro ponto detectado: além da falta de uma figura (e até autoridade!) masculina, a certeza de que as coisas podem funcionar muito bem sem uma.
Os outros relacionamentos familiares em volta foram meio catastróficos. Casos de alcoolismo, traiçao e mentiras, violência doméstica, humilhações verbais e públicas. Não, não é cena de 'Casos de Família', isso acontece muito mais do que a gente imagina. Tem muita gente que não realiza, mas é fato. E eu, como não deixo nada passar, sempre elevei tudo á 10ª pontência. Primeiro pelo fato em si, depois pela indignição de ver todo o resto bancando a Kátia Cega. Então, está aí o segundo ponto: principe encantado não existe. Mesmo. Falar que ama e estar junto não quer dizer que isso aconteça de fato.
Resultado da minha equação: antes só que mal acompanhada.
Acho que essa casca me ajudou a superar decepções amorosas, de amores que na verdade nunca vingaram mesmo. Por falta de interesse da parte de la ou pelo bloqueio da minha. E eu sou casca grossa, reconheço. Certa vez falei pro Pascal que eu não fui feita para estar num relacionamento. Depois de protestar 'porque isso não é o ideal de se dizer ao seu namorado', segundo ele, ele cedeu e concordou. Disse que sabia, mas que achava que valia a pena tentar. Sorte a minha, acho que se fosse outro já teria desistido!
Relacionamento é exercicio, repito. Os filmes de comédia romântica nos vendem essa ideia ridícula de alma gêmea e felizes para sempre. Tudo papo furado. O que existe é um modelo, conjunto (sei la como poderia chamar!) de caracteristicas que te agrada e que, por mais antirromântico que possa parecer, não está vinculado a uma pessoa específica. Ou seja, por mais que aquela pessoa seja 'a pessoa', ela é no máximo, 'a pessoa' daquele momento, mas podia perfeitamente ser alguem la da China. O tempo que aquele individuo com o pacote de características que você procura vai ocupar o posto de 'respectivo', não dá pra prever. Que seja eterno enquanto dure, já dizia nosso poetinha.
Eu comecei a gostar de ter companhia. Tem dias que eu proponho quartos separados (e o Pascal quer me matar - sim, ele é um romantico inveterado e eu sou esse 'trem esquisito', para o desespero dele!), tem dias que eu quero ter um filho de produção independente. Mas no geral, fica só nas especulaçoes. No fim das contas eu vejo que vale a pena abrir a guarda um pouquinho para ter um relacionamento que valha a pena, e o meu tem valido muito. Um pouquinho, eu disse! Não é qualquer botão de rosas seguido de 'eu te amo' (no caso do Pascal, 'ik hou van jou' :-p) que me compra não. Tem que mostrar apoio, cumplicidade, respeito, parceria, do mesmo jeito que eu faço (ou tento fazer!). Não é impossível ser feliz sozinho, mas é muito bom ser feliz junto.
Eu nunca fui uma solteira amargurada, nunca. Acho que isso me dá lucidez na hora de avaliar as vantagens de estar num relacionamento também. Lembra do filme "A Princesinha"? Não existe contos de fadas, nem príncipe encantado, mas todas nós somos princesas, verdade verdadeira. Merecemos ser tratadas como tal. E se não encontrar (é dificil, eu sei) alguem que faça isso por você, então faça isso por si mesma. A vida é grande demais pra projetar todos os anseios em um relacionamento.
Ao invés de responder se eu estou com o homem dos meus sonhos, eu prefiro responder que eu estou com o homem que está possibilitando que muitos sonhos se tornem realidade, com muito companheirismo, paciência, amor, lealdade. Ter alguém como materialização do sonho é estranho e arriscado. A felicidade é um fardo muito pesado pra ser jogado nas costas de outra pessoa, cada um precisa individualmente ser responsável pela sua.

4 comentários:

  1. Ótimo texto com reflexões bem interessante!

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  2. E isso aí Natália, sou feliz porque quero, independente de tudo o mais. Certa vez li que o amor, é o que fica depois que todo o egoísmo foi tirado de um relacionamento. É a mais pura verdade. Bjs

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  3. obrigada meninas! bom que vcs tenha gostado... é sim gloria, nao existe espaço pra egoismo mesmo, pq a gente acaba abrindo mao de mtas coisas para estar ao lado de alguem que ama. conto de fadas so na tv! :-)

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  4. Naty, 100% de acordo. Principe encantado nao existe, pessoas perfeitas nao existem. Somos todos feitos de carne e osso, qualidades e defeitos. Com o tempo, a convivencia e a confiança vamos aprendendo a conviver com a pessoa, mudar uma coisinha aqui e ali. O importante disso tudo eh que nunca falte respeito e muita humildade para assumir os erros e recomeçar sempre que necessario. Se vê que nao da, que a pessoa nao eh compatival, o melhor eh divorciar mesmo, pq casamento que nao da certo vai matando as pessoas aos poucos.

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