sexta-feira, 15 de abril de 2011

A vida alheia

Quem sai aos seus não degenera, já dizia o ditado. Descobri que por mais que eu odeie maledicência, adoro cuidar da vida alheia. E como diria meu xuxu, falar pra mim não basta, gosto de cuidar. Acho que a observação se deve à minha fiscalização diária dos banhos (ele é europeu, nunca se sabe...), copos de água ingeridos, alongamentos que ele deve fazer pela manhã. À tradicional pergunta do 'já fez?', ele responde ironicamente (e pacientemente), 'yes, mom!'. Eu tento me explicar: 'Amor, eu só tenho você aqui, então todos os meus cuidados são seus, não é ótimo?' Ele faz silêncio, levanta as sobrancelhas por cima dos olhões de bola de gude. Imagina as vantagens e desvantagens da situação, enquanto aposta que em 5 minutos eu vou perguntar pela vitamina que ele nunca toma.

 Fofoquinha: desde que o ser humano é gente.

Cuidar da vida dos outros criou uma rede de hábitos em Minas, especialmente na nossa família. Imitar a voz da outra pessoa pra repetir alguma frase, ou algo absurdo que foi dito (essa quem percebeu foi o Pascal! - achando e me fazendo achar a coisa mais engraçada do mundo!), inventar apelidos para não deixar descoberto o alvo da fofoca (e deixar o papo mais engraçado). Tenho uma avó especialista no quesito. Sentada no banco da rua, nenhuma alma viva escapa do olhinho atento e da língua esperta. E é criativa, deve-se adimitir. Gata seca (para alguém que era magra demais), bicho de goiaba (para alguém que era branco demais), calango (esse é muito branco também, mas não tanto pra ser classificado como bicho de goiaba), capetão (para um vizinho brigão), urso do cabelo duro (uma criança grande demais pra sua idade e que não gosta de pentear os cabelos - crianças não são poupadas). Bom, os sobrenomes eram antes de tudo apelidos, há que se reconhecer a importancia histórica do hábito! Também invento uns, mas sou iniciante, tenho muito o que aprender nessa velha arte. Me restrinjo a uns e outros que crio pro Pascal (que podem ser bons ou ruins, dependendo da raiva ou do agrado que ele me faz). Às vezes a gente acha um ou outro membro da realeza, multimilionário ou descendente dos vikings por ai, dai os apelidos se criam sozinhos.
Falar da vida dos outros é divertido, desde que feito com moderação e da maneira correta. Fulano devia ter feito isso e não fez, ciclana postou isso no facebook, o que beltrano faz da vida o dia inteiro? Isso é só observação, diferente de maledicência. Fofoca do mal, tô fora. Até segredo eu aprendi a guardar! E não se engane, todo mundo é fofoqueiro. Às vezes fingem que não são (especialidade aqui da Europa), mas são sim, não tem jeito. Leia os jornais, assista TV. São mais sensacionalistas que a gente, mas não assumem, como se isso os redimisse da culpa. Mas que culpa? Se viver sozinho fosse bom, o ser humano não teria se juntado em comunidades milhares de anos atrás.
Cuidar da vida, eu só cuido dos que importam, são da família e/ou estão num raio de 150 metros. De resto, cada um faz o que quiser, Papai do Céu nos deu o livre arbítrio. Só não espere que a gente não vá comentar!

2 comentários:

  1. AHAHHAHAH comadre eu to aqui me rachando de rir, porque agente não foje ao hábito mesmo. E eu como boa mineira e de familia mineira, também adoro um apelido como você mesmo sabe. Gata seca é o apelido que minha mãe deu a uma tia italiana, magraaaaaaaaaa que dói. Cascavel, a vizinha da frente, morcego pro meu pai. ahahhaha Eu também adoro colocar apelidos no Iwan, agente tem os tradicionais bonitinhos, e os que eu tenho que explicar, afinal apelido em holandês não rola mesmo.

    Eu tento me policiar com o que falo, afinal eu observo por ai pessoas que realmente não tem o que falar e usam o "falar mal" como único assunto da vida. Como você disse, falar todo mundo fala, tem horas que me surpreendo com o Iwan quietinho falando algo de alguém, ai eu vejo que falar de alguém não é só um hábito de terras além mar.
    Adorei o primeiro post, e você escreve super bem. Bem vinda aos blogs.

    beijao

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  2. Concordo com a Simone, vc escreve super bem!!!!

    Falar todo mundo fala... hahahah o pior è que è verdade
    bjs

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