sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Citizen Médio

Vou pegar emprestado um anúncio de um livro que eu adoro pra escrever o post de hoje, que vai abranger algo alem do meu proprio umbigo. O anúncio não retrata 'o' cidadão, porque é um anúncio da marca de relógios Citizen, mas o duplo sentido me fez refletir. Vou tentar reproduzir o cartaz. Há uma mulher branca, cabelos castanhos, nem magra nem gorda, nua, sentada de costas e olhando pra camera por cima dos ombros. Na foto está escrito: 'Altura média, cor de cabelo média, idade média, peso médio. O Citizen médio é algo que não existe.' (HARVEY, David. A condição pós-moderna: Uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Edições Loyla, 2006. p.66 [me desculpem os amigos historiadores se as benditas normas da ABNT não estao corretas, já estou há algum tempo fora do ramo, escrevi do jeito que eu me lembrava]).
Infelizmente, o anúncio está errado, a sociedade está infestada de cidadãos médios. Como falta posição verdadeira nos dias de hoje! Relembrando minha faculdade de história, vou pegar meu primeiro exemplo. 'Cópia de um trabalho = Plágio, Cópia de vários trabalhos = Monografia'. A máxima vale. E por quê? Porque somos incentivados a citar o que ja foi dito, comprovar conhecimento e no meio do caminho o 'eu acho' fica perdido. Muita besteira já foi escrita até hoje, mas da consistência das produçoes passadas, a gente não passa nem na porta. Tudo mundo pode criticar 'O Manifesto Comunista' por nao concordar com ele, mas ninguem pode dizer que quem escreveu não defendia e desenvolvia muito bem suas ideias e ideais. Como isso faz falta na atualidade...
Saindo do meio acadêmico, a peste continua. Tá cheio de gordo que tem os ossos largos, de preto que é mulato ou moreno bem escuro, de católico que não é praticante. O cidadão médio tem opiniao e caraterísticas as mais fluidas possiveis. Ele fica em cima do muro porque quer ser aceito ou na pior das hipoteses, quer passar despercebido. O morno sempre tem mais chances, porque num golpe de sorte pode agradar ao apreciador do quente ou do frio. Meu medo é que o quente e o frio deem lugar ao entediante morno pra sempre.
Quantas pessoas já morrerem pelo que acreditavam? Os cristões foram perseguidos durante anos e muito morrerem defendendo sua fé. Qual não seria a surpresa ao ver que hoje, longe das fogueiras, leões e cravos as pessoas que nunca vão a igreja se dizem católicas porque não querem adimitir que não tem religião?
E no caso dos pardos, termo já debatido milhões de vezes nas discussões de consciencia racial, que se afirmam mulatos e morenos na esperança que a negritude não seja percebida? Clareamento de pele, cabelo esticado (um dia ainda me livro desse carma!), plástica no nariz. Nos Estados Unidos a Mariah Carey é preta, no Brasil a Sheron Menezes é morena. É de rir ou de chorar?
A sociedade deficiente debilita as pessoas e essas, alejadas, passsam a integrar e a reproduzir o sistema. A opinião/existência marcada deixa de ser bem vista ou aceita, mas tudo muito velado, o que é pior.
É um espiral doido que eu não sei onde começa e muito menos onde termina. Também não sei se estou só com os pés atolados no sistema, se ja estou na altura da cintura ou até o pescoço. Chega de tentar convencer os grupos, vamos nos focar no que temos entre as orelhas, a revolução é individual. Mas de que jeito? Discuto, penso, matuto... Deve ser mais facil passar o tal do camelo no buraco da agulha.
Ainda estou decidindo se vou criar meus filhos eu mesma ou entregá-los a uma alcateia...

2 comentários:

  1. Gostei da critica Nati, mas realmente eh muito dificil nos expressar hj em dia, e no brasil isso me revolta, pq tem tanta coisa ruim que a gnt ve que acontece mas soh faz reclamar e n toma uma atitude por medo, por achar q n se muda nada sozinho, mas nenhum de nos pensa que isso pode ser um comeco. Eu critico mas tb tenho um pouco desse cidadao mediano dentro de mim. Acho q um pouco dessa atitude se deve ao comodismo, se esta bom pra mim, pq me mexer....

    ResponderExcluir
  2. Nati amiga que o diga a minha mãe que ser cheia de opnião vai me levar pro fundo do poço um dia, mas eu não aguento, se tem uma coisa que eu não engulo é gente em cima do muro, ou é ou não.

    Mas lendo um trecho do seu post eu me lembrei do queens night aqui em Den haag, estavamos tirando fotos, e uma amiga de uma amiga minha aqui pediu pra ver as fotos da minha camera e começou a reclamar que ela estava muito escura na foto, eu olhava pra foto, olhava pra ela e não via nada de errado. Quando eu postei as fotos ela veio reclamar que estava muito "preta" e depois me chamou de canto e disse que nào tinha gostado, eu pensei comigo: isso é um problema? ou ela realmente não vê de outra forma, no brasil agente chamaria de "moreninha" não é? beijao

    ResponderExcluir

Pin It button on image hover