terça-feira, 26 de julho de 2016

Blog novo, ou nem tanto...

Você sabia que eu tenho um blog de maternidade que nunca saiu do papel? Hoje saiu o primeiro post. Seja bem vindo se as peripécias do mundo materno forem do seu interesse!

maternidadesemfronteiras.blogspot.be

domingo, 22 de maio de 2016

Tudo sobre minha mãe

E foi assim que acabei com uma filha loira de olhos azuis nos braços.
Nossa família já nasceu "problematizada". Sou uma brasileira que mora na Bélgica há 7 anos, 2 anos entre idas e vindas, definitivamente há 5 anos. Meu marido é belga, nos casamos no fim do verão de 2014. Já no começo de 2015 engravidamos e nossa florzinha nasceu no inverno daquele mesmo ano.
Ela é uma bebê linda, linda mesmo, a mais linda (estágio avançado de Síndrome da Mãe Coruja que afeta sem distinção todos os credos, etnias e classes sociais). Durante a gravidez ficávamos tentando adivinhar como ela seria já que nosso leque de variedade genética era bem amplo, pelo menos do meu lado. Na família do marido era mais do mesmo, todo mundo loiro de olho azul a várias gerações, um e outro com o cabelo mais escurinho. Do meu lado temos de tudo. Minha mãe é negra retinta, meu pai é ruivo, meu avó materno é negro de olhos azuis, o paterno é branco de cabelo crespo... Eu sou uma negra de pele clara, segundo costumam me definir aqui na Bélgica, uma brasileira típica. E eis que, apesar das bochechas da mamãe, nossa bebe nasceu com a pele bem clarinha e os olhos azuis. O cabelinho era preto, mas foi caindo e agora ela esta cheia de fiozinhos dourados que começam cachear.
Desde a época do nosso namoro conversamos muito sobre questões raciais em casa. O marido não entendia muito, a lógica aqui é outra. Ele é uma pessoa maravilhosa incapaz de fazer mal a uma mosca mas precisou ter o traseiro chutado pra fora do seu cercadinho de privilégios muitas vezes pra entender as coisas, tem funcionado. Na primeira viagem ao Brasil presenciou perplexo uma briga entre um casal de amigos, ela negra e ele branco, o namorado a chamou de macaca. Clássico. Antes mesmo disso acontecer, o marido já dizia que não entendia o que uma mulher linda como ela fazia com um babaca como aquele, eu também nunca entendi. Pensa no quão babaca você tem que ser pra uma pessoa que sequer fala português direito te achar um babaca. Enfim, expliquei pra ele que se tratando de relacionamentos no Brasil, o buraco era mais embaixo.
Meu marido foi o único namorado que tive na vida, por assim dizer. O primeiro que andou de mãos dadas comigo, que me pediu em namoro, que me apresentou pros pais, que cuidou de mim quando estive doente, que atravessou meio mundo pra conhecer minha família. Por outro lado, tenho histórias como qualquer outra de namoros as escondidas, de não poder contar pra ninguém, de desaparecidos depois de uma noite, de preterimento. Essa solidão da mulher negra que muitos ainda gostam de jogar pra baixo do tapete... Mas estava tudo bem, eu sabia os tipo que com que estava me envolvendo, nao queria aceitar, achava que ia mudar, etc... Mas sabia. e sempre fui da máxima do antes só que mal acompanhada.
O tempo passou, decidi passar uma temporada fora num intercâmbio e conheci meu marido. É tão bom ter alguém que se importa conosco, mas deu aquele sentimento estranho de que tinha alguma coisa errada, como se aquela historia não me pertencesse, acho que isso também vem de anos de depreciação da nossa imagem. Nunca fui a mais bonita da turma nem a primeira escolha de ninguém na minha adolescência e juventude, sei que muitas sabem do que estou falando. Foi bom saber que não precisa ser sempre assim, foi libertador falar sobre esse assunto com meu marido, mesmo que só depois de alguns anos juntos. Ele ouviu tudo, indignado mas sem entender, é lógico que na Bélgica há preconceito, mas esses requintes de crueldade parecem ser exclusividade brasileira.
E nosso diálogo continua até hoje, agora ainda mais por causa da bebê. Ela será criada bilíngue, português e holandês. Terá o máximo possível de contato com a cultura brasileira, musicas, histórias, minha família. Saberá que carrega o nome da minha avó materna, mulher de fibra que foi neta de escravos e mesmo que suas origens não aparecem na pele, elas estão ali e são parte do que somos, eu e ela.
Saberá que ser mulher nesse mundo também não é tarefa fácil, que ela é privilegiada por nascer onde nasceu e por ter acesso a coisas que muitas outras meninas como ela não terão durante sua infância.
O meu desafio é criar a minha pequena para ser um tijolinho nesse mundo, ser justa, correta, ter empatia, respeitar a dor dos outros mesmo que a mazela não a atinja diretamente, ser agradecida pelo que tem sem se esquecer que é também obrigação dela, facilitar o acesso do outro ao que lhe falta. Mais um desafio nessa aventura deliciosa que é ser mãe.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie

A primeira reação de qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade diante de tamanha barbaridade é aderir a causa, "Je suis Charlie", li algumas dezenas de vezes na minha timeline ontem. Quase foi a minha reação também. Confesso que não conhecia a revista Charlie Hebdo, não conhecia a fundo a história mas quando vi que se tratava de uma revista de extrema esquerda sendo atacada (literalmente) por charges contra o islã, preferi digerir um pouco antes de opinar. Havia uma questão de valores aí que para mim não batia.
A revista foi criada no final da década de 60, um contexto totalmente diferente de hoje. Quero deixar claro que acredito muito na arte como forma de protesto, mas me parece que a revista acabou tomado outro rumo nos ultimos tempos. Foram alfinetadas ácidas que para mim causaram mais efeito colateral do que instigaram o pensamento e a discussão. Separei algumas das que eu achei mais indigestas (sei que deveria ter colocado as fontes, mas estou com pouco tempo e muita preguiça, foi tudo tirado do Google mesmo)

Para você que é contra racismo.


Para você que defende a liberdade sobre o próprio corpo

Para você que não gosta de ser um mero pedaço de carne

Essa aqui não sei nem comentar. Qual a necessidade?

Para você que pratica outra religião

Eu nunca tive muito saco pra piada e com o passar dos anos foi piorando. Não sou consumidora de humor, não gosto de comédia, não contem piada pra mim, por favor! Gosto de humor bem pastelão ou situaçãoes engraçadas onde se ri ¨com¨ e não ¨de¨. Odiaria ver uma piada racista, sexista ou gordofóbica estampada na capa de uma revista, essas são as categorias que mais me ofendem pessoalmente falando. Mas a empatia me faz entender a ofensa sofrida por um homossexual, muçulmano, católico, umbandista... Desculpe, não consigo entender como as charges acima incitam discussão política, eu so vejo ofensa e acho que ofender pessoas não deveria ser direito de ninguém. Ok, um caneta não mata ninguém, concordo. Chamar preto de macaco também não mata, tá liberado por isso?
Mesmo no calor dos acontecimentos, acho que vale uma análise mais cuidadosa. Liberdade de expressão não pode ser desculpa para desrespeito, essa sempre foi minha opinião e não vai mudar.  Se a revista questionava a ordem em vigor, vai bater nos muçulmanos porquê? Que força política eles representam na França? Veja bem, não estou falando do terrorismo, estou falando de representação política, poder de verdade, no papel. As mulheres sequer tem direito de usar burka em público (não vou entrar nessa discussão aqui, entendo os motivos que levaram a proibir mas ainda acho que fere o direito de decidir sobre o próprio corpo).
Quem mora na Europa e tem o mínimo de senso crítico (não estou falando dos que acham que porque moram aqui há 3 anos, falam o idioma e não são muçulmanos/árabes já receberam o selo europeu de qualidade) sabe o caldeirão étnico prestes a entornar que é isso aqui. Liberdade de expressão, pode soar bonito, mas há que se ter discernimento para entender que os tempos mudaram e insistir nesse anacronismo pode ser perigoso, como foi.

Imagina a KitchenAid hoje em dia com um comercial desses? 

Acho que amadureci, ou talvez só tenha ficado careta. Cheguei aos 30, me casei, tenho um emprego trivial, adoro cozinhar. Aprendi a falar menos e escutar mais, acho que foi uma evolução forçada pelo idioma estrangeiro, ossos do ofício. E penso em  ser mãe num futuro próximo, por isso, "Je ne suis pas Charlie". Por mais que digam o contrário, acho que isso seria endossar a ¨liberdade de expressão¨ distorcida que discordo e isso eu não posso fazer.  Adoriaria que meus filhos pudessem viver num mundo onde não se cala a voz discordante com tiro de fuzil mas também que pessoas não sejam humilhadas gratuitamente em prol do humor ou de uma liberdade que definitivamente não contempla a todos.
Gostaria de um mundo com mais amor e respeito em todos os quesitos, onde as pessoas gastassem menos energia com coisas que além de não gerar bons frutos, correm o risco de se tornarem belos tiros saindo pela culatra. Torço muito para que os culpados sejam punidos, o que aconteceu é inadimissível. Mas se pensarmos com um pouco mais de frieza, o que ficou dessa história? Na minha opinião, duas coisas: a dor da perda de entes queridos às famílias e (veja bem a ironia do destino porque se trata de uma revista que se posiciona como esquerda radical) um desserviço enorme já que a direita ultra conservadora vai, mais uma vez, usar essa carta para insuflar xenofobia num cenário que já não está favoravel há muito. Valeu a pena?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Bodas de sorvete

Dois meses de casamento. Decidimos sentar com calma para ver selecionar as fotos para fazer o álbum, mas escolhe como? Quero todas! <3







               






















terça-feira, 23 de setembro de 2014

Just married

Enfim, casados!
Sábado o dia amanheceu lindo e ensolarado depois de uma semana inteira de promessas de tempo ruim. Levantei da cama (dormir na noite antes do casamento, oi?) e já fui aprontar as primeiras coisas. A maquiadora chegou junto com o fotografo para fazer as fotos do making of e a gente ainda estava correndo que nem barata tonta pela casa. Pascal saiu pra ir ao cabeleireiro e buscar meu buque, minha mãe, irmã e eu ficamos em casa nos arrumando. Fiz o cabelo, as unhas, tiramos foto nos arrumando, foi super divertido. Claro que na última hora decidi mudar a maquiagem que já tinha testado semanas antes para o desespero da maquiadora, mas ficou tudo bem e o resultado foi maravilhoso.
A family-in-law chegou, uns amigos do pascal também, ele perdendo a gravata e eu, já vestida de noiva sem por ir lá ajudar... hahaha... Combinamos de nos encontrar na varanda de casa para que Pascal visse o vestido pela primeira vez. Ele suando bicas de nervoso dentro do terno, coitadinho! Segurando meu buque, que também ficou maravilhoso, disse que eu parecia uma princesa.  Sem falsa modéstia? Meu vestido abalou corações mesmo! Ficou lindo, caiu como uma luva, foi do jeitinho que eu sempre sonhei! Foi a melhor decisão da minha vida tê-lo feito em Divinópolis com minhas tias super lindas e talentosas, foi top 10 nas paradas de sucesso e eu me senti mesmo uma princesa. Finalmente as fotos, aguardem!
No final, o plano de tirar fotos no parque foi por água abaixo, acabamos fotografando com a família no nosso quintal mesmo que também tem muito verde. Fomos para a prefeitura num fusca lindo! Pascal tinha recebido uma Maserati do chefe que fazia questão que a usássemos no casamento, mas quem quer uma maserati quando se tem um fusquinha conversível? Ficou só para as fotos e para o hotel depois. Chegamos na prefeitura 30 min antes e a porta estava trancada, pensa no meu desespero? Queria derrubar a porta na voadora... Mas estava tudo certo, o lugar era ali mesmo, o povo já estava chegando. Mais foto com a família, amigos, minhas ex host kids, e enfim a cerimônia. Contratamos uma tradutora para que minha mãe e irmã pudessem acompanhar a cerimônia e isso quebrou um pouco o gelo, graças a Deus não chorei e destrui a maquiagem!
De lá fomos direto para o salão onde serviriamos o brunch, como o dia estava lindo fizemos o brinde no pátio, minha ex host mom, que também foi minha madrinha de casamento, preparou uma mensagem linda! Ainda teve o cuidado de traduzir tudo para que minha mãe pudesse acompanhar também. Bom, aí claro que todas desabamos a chorar! hahaha... Senti muita falta do meu pai aqui, ele não pode vir por medo de avião, mas mandou cartinha, presente, e está esperando todos nós para a celebração lá no Brasil. A festa toda foi só alegria! A gringaiada amou as comidas brasileiras, empadinha, coxinha, barquete, lombo falso, tudo preparado com muito carinho pela Simone e algumas coisa por mim mesma... Achei que era comida para um batalhão mas na verdade nem foi, a belgaiada aprendeu rapidinho a comer como brasileiro.
O bolo lindo!! Já disse que meus xodós na organização eram o bolo e o vestido. A Carolina do Carolina's patisserie atendeu meu pedido feat ameaça de suicídio e cancelou um compromisso para se abalar lá da Holanda num sábado de manhã e fazer nosso bolo de casamento na Bélgica. Ficou simplesmente o bolo mais delicioso que já comi. Escolhi a massa de chocolate coberta com ganache por baixo da pasta americana e o recheio de nozes, era de comer rezando. E o topo do bolo que fofura mais fofa? Também trouxemos do Brasil feito pela Patrícia e fez muito sucesso.
A decoração foi bem simples, mas também feita com muito carinho. Comprei uma armário retrô para fazer uma exposição de fotos nossas, família, infância, etc... As flores foram em tons de amarelo clarinho e branco, também arranjos bem pequenos e discretos. Tive que conviver com aqueles lustres azuis e eu odeio azul, mas no final não fico ruim. Tivemos o cuidado de fazer as plaquinhas das comidas em português e holandês, tudo com selo "Gabriela de qualidade de fontes de casamento"! hahahaha... Sim, muitos amigos e amigas foram envolvidos na organização do casamento, o que fez tudo ter um gostinho extra de amor e cuidado. Renata fez os bem-casados (de goiabada!!!), Fabíola os brigadeiros, Charly comandou os garçons e o resto do pessoal, o tio do Pascal fez as fotos na prefeitura, foi uma operação formiguinha.
Ainda teve a jogada do buquê, super marmelada, minha irmã que pegou. Como ela também é encalhada mor, vamos ver se vai dar sorte. Depois disso despachamos o resto do povo e fomos para um hotel que tinhamos reservado em Bruxelas para passar a noite de núpicias, os dois mortos, diga-se de passagem. O hotel era lindo, um dos 5 estrelas mais antigos da cidade, decorado com uma tapeçaria antiga maravilhosa. Fique lá, vestida de noiva no saguão com minha malinha esperando Pascal pegar a chave do quarto e recebendo felicitações do povo que passava, o curso de fracês já serviu pra saber agradecer. Ainda deu pra tomar mais champagne, namorar bastante, sair pra comer paella no centro de Bruxelas e finalmente, domir 8h seguidas. Depois ainda recebemos café no quarto e tive tempo de ficar de molho na banheira de espuma tomando mais champagne eu conseguiria me acostumar com essa vida dura. A última tarefa foi conseguir sair de Bruxelas num dia em que carros eram proibidos na cidade! hahaha.. Chegamos em casa, abrimos o presentes, ganhamos algumas coisas pra casa, muuuuuitas flores, chocolates e uma graninha que vai engordar bem nossa poupança. E foi isso! Ontem ainda tivemos pique de esticar até Paris para passear com minha mãe e irmã, hoje a maior distância que percorrerei será entre o quarto e a cozinha.
E que venham muitos dias lindos e ensolarados nas nossas vidas!























sábado, 23 de agosto de 2014

Carta a um amigo distante

Hoje foi um dia bem cinza em todos os sentidos, o verão parece que já partiu dando lugar à chuva, vento e frio tão característicos da Bélgica, provocando aquela pontinha de tristeza até no mais otimista dos corações. Mais cedo fomos ao velório de um amigo do Pascal, que com os anos e +o carinho com que sempre fui acolhida pela família, se tornou uma pessoa querida para mim também. Aliás, uma família marcada por momentos muito difíceis, ele era o pai do melhor amigo do Pascal, que também faleceu tragicamente num acidente alguns meses antes de nos conhecermos. Ele tinha muitos planos, com a família, pessoais, é muito dificil acreditar que tudo aconteceu. Tendo sempre a me apagar a memórias de momentos felizes em situações assim, então foi impossível não pensar no Guilherme, um grande amigo que também nos foi tirado muito cedo. Decidi materializar a mania de falar sozinha e escrever aqui tudo o que eu diria a ele se tivesse a chance, aprendendo a mesmo tempo que todo dia é chance de fazer valer cada minuto que temos aqui.

"Guilherme,
Hoje pensei muito em você, uma das pessoas que mais me ensinou sobre o peso e a leveza de viver. Como tenho a felicidade de nunca ter perdido alguém muito próximo da família, posso dizer com certeza que sua morte foi a que mais me doeu. Doeu porque foi de repente, doeu porque você era especial, doeu porque é dificil demais aceitar essa que é nossa única certeza na vida. Engraçado que nosso tempo de convívio foi pequeno, aquele 3° ano com o aluno maluco que chegou de Carmo da Mata pra fazer a alegria daquela turma que já era especial. Risadas, brincadeiras, você me apelidando carinhosamente de Puff, apelido que carrego com carinho até hoje (assim como as bochechas que o inspiraram), apenas para os mais íntimos. E a serenata no Dia das Mulheres? Na porta de cada uma das meninas da sala...  Só você mesmo para conseguir a façanha de transformar todos os meninos em românticos incuráveis naquela noite. Depois cada um seguiu seu caminho, eu fui pra Viçosa, você pra Ouro Preto. Era tão pertinho, não sei porque a gente não se viu mais vezes, não se visitou mais vezes. Mas você era aquele tipo gostoso de amigo que consegue estar perto estando longe, que mesmo depois de anos sempre dá aquele gostinho de que parece que foi ontem.
Sinto sua falta, ainda penso em você as vezes. Penso na minha dor junto com todos os seus amigos do Polivalente, da Casablanca, na dor imensurável da sua família, em tudo que você poderia ter feito, nas viagens, nas festas, nas pessoas que poderiam ter tido o prazer de dividir a vida contigo se a sua não tivesse sido interrompida de maneira tão brusca. Na minha muita coisa mudou, dei um pause sem data na carreira de professora, me mudei pro exterior, também sem data de volta. Lembra que você ria de mim por não aprender a falar inglês? Pois é, aprendi não só inglês como holandês e em alguns dias estarei partindo para o francês, tá, meu bem? E vou me casar mês que vem, acredita? hahaha.. Gostaria de saber o que você diria sobre isso. Ele é um cara muito bacana, habilidoso, conserta tudo o que eu quebro, faz aniversário quase no mesmo dia que você faria. Ao contrário de mim, é muito tímido, fala pouco, desconfiado a primeira vista, mas tem um coração do tamanho do mundo e os olhos azuis mais lindos que já vi. Acho que você aprovaria. E acho que viria para o nosso casamento se estivesse morando em Barcelona como era seu plano, cidade que ainda está na minha wish list, tenho certeza que você não a adoraria se não tivesse algo bem interessante por lá.
O que mais aprendi com sua breve passagem é que cada minuto da vida é importante. Não tenho vontade de voltar a Ouro Preto, você não estaria lá. E se estivesse, será que ainda seria tão maluquinho? Estaria bebendo todas? Teria tido um filho? Ou teria largado tudo e virado hippie? A vida tem que ser apreciada, cada minuto dela. De um minuto para o outro tudo pode mudar e muda, mesmo quando tudo parece igual. Saudade é um sentimento confuso, é gostoso quando a gente pensa com aquele ar de "foi bom", mas doi muito quando a gente pensa no modo "queria de novo", o que com certeza não vai acontecer, mas é a forma com que ela me visita com a mais frequência.
Encontrei vários emails que nós trocamos durante os anos da faculdade, li, chorei... Já faz oito anos que nos vimos pela última vez, contei nos dedos para ter certeza, você sabe que nunca fui boa com contas, além do mais, continua parecendo que foi ontem. Achei nossas fotos da Festa do Doze, acho que são as únicas fotos que temos juntos, e você é claro, tinha que estragar tudo com esse olho roxo e essa droga de nariz quebrado, fruto da brilhante ideia de fazer exercício na barra bêbado. Só gostaria de dizer que você levou um pouco de nós e deixou um pouco de si, que vai acompanhar cada um até que também chegue a nossa vez, mas até lá nos resta viver, viver com vontade, não deixando pra amanhã o amor que podemos dar hoje, nem a visita que podemos fazer ou a cervejinha com os amigos que podemos beber. Me sinto muito grata ter tido a chance de chamá-lo de amigo, continue com Deus, sei que você vai dar um jeito de se divertir muito aí encima."
Com carinho,

Natália


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bride-to-be: Say yes to the dress

Sinceramente falando, casamento nunca foi meu sonho de infância, já estava até acostumada com a ideia de ficar pra titia! Depois o namoro ficou firme, decidimos morar juntos e eu acabei percebendo que casamento já era isso. Dividíamos o mesmo teto, as contas, as alegrias e tristezas, acho que nunca houve aquela necessidade urgente de oficializar tudo, Pascal por outro lado, sempre disse que gostaria de se casar antes de ter filhos então acho que agora ele se tocou que estou ficando velha tratou logo de pedir o casamento pra passar para a segunda parte do plano. Fiquei muito feliz e surpresa com a ideia e o que deveria ser motivo de descuido, virou motivo de empolgação. Afinal, casada eu já estou, não faz sentido ir na prefeitura assinar um papel e terminar o dia num rodízio de pizza só para ganhar o carimbo de "mulher casada". Se fosse pra casar, queria tudo que tinha direito, vestido de noiva, bolo, jogar bouquet, daminha de honra, tudo tudo! E duas coisas se tornaram meus xodós na organização, meu vestido e o nosso bolo (assunto para um próximo post)
Quando comecei a escolher o vestido de noiva fiquei de queixo caído em todos os sentidos, pois não imaginava que havia um nicho tão grande assim. Resumidamente, os modelos são de cair o queixo, os preços também. Nunca vi na Bélgica uma loja de aluguel de vestidos como temos no Brasil, então vou eu na única loja que sabia que vendia vestidos de noiva dar uma olhada. Entrei na loja, super high society por sinal, e fique chupando dedo. A atendente me explicou em palavras polidas que aquilo não era casa da mãe Joana e eu deveria ligar antes, marcar um encontro, elas me serveriam um café e tentariam me vender em vestido que custaria meu rim direito. Bom, ficou pra próxima... Pra próxima vida, porque pagar 10 mil num vestido, só se na próxima eu nascer milionária.
Eu acho lindo vestido de noiva, mas não gosto nada de parafernalhas. Nunca curti cauda, nem véu de 25 metros, bouquet cascata, muito menos saia rodada estilo próprio bolo. A ideia era escolher uma coisa que fosse bonita, simples e que daqui a 25 anos eu ainda olhasse para as fotos pensando: meu vestido é lindo.

Querida, não.

Mas como Deus não me deu dinheiro mas me deu bom gosto cof cof acabei mesmo me apaixonando por um modelo lindo de uma estilista aqui das redondezas que custava a bagatela de 4 mil pounds. Usado. Ai meu Jesus... E sabe quando dá aquele disparo no coração e uma vozinha na sua cabeça diz: é esse!! Pois é, tive que convencer a minha vozinha que aquele não poderia ser... Daí virou uma via sacra! Olhei em alguns site do Brasil, decidi por fim que compraria na China. Sim, é possível fazer bom negócio comprando vestido da China, pesquisando bem os vendedores, garimpando fotos e comentários... Participo de um grupo no Facebook que é só voltado para compras dos sites chineses e é incrível a economia que você pode fazer comprando por lá.
O que eu pensei é que no final das contas, muitos dos vestidos que se alugam no Brasil acabam vindo mesmo da China, então não há necessidade de não comprar só por um preconceito bobo. E diga-se de passagem, aluguel de vestido também custa uma fortuna, além de estar fora de cogitação pra mim. Enfim, já tinha me convencido a comprar um modelo da China, conversando com o vendedor, peguei fotos de uma menina que comprou o mesmo vestido e era tudo lindo e o melhor, cabia perfeitamente no meu bolso.
Mas como esse mundo dá voltas, o fim da minha história seria outro, muito mais lindo e especial. Decidi não comprar o vestido até ira para o Brasil de férias e assim o fiz. Chegando lá conversei com uma prima costureira de mão cheia sobre fazer o vestido e ela disse que achava que não valeria a pena, afinal, tecido no Brasil também é caríssimo, mas que se eu quisesse elas tentariam. Uma das tias logo se animou a topar o desafio e a outra que é modelista também gostou da ideia. E aí o que se sucedeu foi uma operação formiguinha das artistas super talentosas que tenho na família! Fomos comprar o tecido e tivemos muita sorte, achamos materiais e cores lindas e por um preço super dentro do meu orçamento. Depois foi a vez de cortar o vestido, que foi moldado no meu corpo, puro talento das minhas tias queridas, era vestir, ajustar, cortar, costurar, um vestido feito literalmente pra mim e em mim! Pascal me levava lá de carro pra fazer as provas e ficava do lado de fora para não ver, afinal, dá azar! E uma semana depois, estava pronto o vestido de noiva mais lindo que eu poderia imaginar. O modelo? Inspirado naquele lá de cima da estilista que tinha me feito apaixonar à primeira vista! E olha, não deixou nada a desejar do original. Claro que não ficou idêntico, eu até acho que a renda do meu é mais bonita! hahahaha #modéstia.
No dia da prova final, levei minha mãe e minha avó comigo para verem e foi um momento muito emocionante, me segurei pra não chorar. Ficou lindo e tão cheio de significado. As tias me agradeceram pelo prazer de deixar que elas fizessem o vestido de alguém da família e eu claro, agradeci muito por elas terem me dado a honra de fazer um vestido pra mim. No final, foi meu presente de casamento, já que elas não estariam aqui comigo. E desde então eu vivo nas nuvens, querendo provar o vestido todo dia... Ah, setembro que não chega!
Pin It button on image hover